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Sestas

Sestas do Bebé: Porque o Sono de Dia não é uma Noite em Ponto Pequeno

Há bebés que dormem lindamente à noite e depois de dia lutam contra as sestas com todas as suas forças. Outros adormecem em qualquer lado, desde que seja ao colo ou em movimento. E há os que dormem trinta minutos, acordam a chorar e, não se sabe bem como, parecem mais cansados do que antes.

As sestas costumam ser tratadas como a noite em ponto pequeno. Não são. O sono de dia tem um ritmo só dele, e o que sossega o bebé à noite nem sempre resulta a meio do dia.

O dia também tem o seu ritmo

O relógio biológico não adormece de manhã. Continua a trabalhar durante o dia e vai preparando o corpo do bebé para dormir em certas alturas, e não em todas.

Quanto mais tempo passa acordado, maior a vontade de dormir (pressão de sono). Mas essa vontade só se transforma em sono quando o corpo está preparado para isso. Nos primeiros meses, isso acontece de forma espalhada pelo dia. À medida que o relógio biológico se desenvolve, o dia vai ganhando uma forma mais previsível e as sestas repetem-se sempre na mesma altura.

É por isso que a mesma sesta, tentada mais cedo ou mais tarde, pode correr de maneira tão diferente. Cedo de mais, o bebé fica no berço sem sono. Tarde de mais, o cansaço já foi longe de mais, e um bebé demasiado cansado luta contra o sono em vez de se deixar ir.

O próprio bebé vai dizendo, baixinho. Fica mais quieto, perde o interesse no que estava a fazer, o olhar afasta-se um pouco. São sinais discretos, o corpo a avisar que a altura chegou, antes de o cansaço se instalar.

A sesta da manhã e a da tarde não fazem o mesmo

Duas sestas no mesmo dia não são duas vezes o mesmo sono.

No primeiro ano, enquanto há duas sestas por dia, a da manhã tende a ter mais sono ativo, aquele em que o cérebro está ocupado a arrumar o que aprendeu. A da tarde tende a ter mais sono profundo, o que repara o corpo.

É por isso que uma sesta longa à tarde não compensa uma manhã sem sesta, e o contrário também não é verdade. E, enquanto o dia tiver as duas, vale a pena protegê-las.

Porque é que tantas sestas acabam cedo de mais

O sono acontece em ciclos, e no fim de cada um há um pequeno despertar. Muitas sestas acabam aí, no fim do primeiro.

É que, durante o dia, o bebé nunca chega a ter tanta pressão de sono acumulada, e grande parte dela gasta-se logo nesse primeiro ciclo. Continuar a dormir passa então a depender da sua capacidade de autorregulação, de voltar a adormecer de forma independente.

Uma sesta curta não é uma sesta pequena. É uma sesta interrompida.

Um bebé que acorda no fim do primeiro ciclo raramente acorda descansado, e o resto do dia costuma mostrar isso mesmo.

O dia é que constrói a noite

Quando as noites correm mal, a resposta está muitas vezes no dia.

Um dia com pouco sono deixa o bebé demasiado cansado. O corpo responde com hormonas de stress, que o mantêm alerta precisamente quando ele precisava de abrandar. Chega à noite acelerado em vez de sonolento, custa-lhe adormecer e acorda mais vezes.

As sestas não são o prémio de consolação da noite. São o que a prepara.

As sestas não são coisa só de bebés

A maioria das crianças continua a precisar de dormir durante o dia até perto dos três ou quatro anos, e algumas até um pouco mais tarde. O que vai mudando é o número e a duração das sestas: primeiro são três, depois duas, depois uma, e a cada uma que desaparece as que ficam tornam-se mais longas. A que resiste até ao fim é a sesta da tarde.

Um dia, essa sesta deixa de ser precisa. A pausa não. Fica um tempo mais calmo a meio do dia, sem ecrãs e sem grande estímulo, em que o corpo abranda e a tarde volta a começar sem pressa.

Quando vale a pena olhar com mais atenção

Sestas que nunca passam de meia hora. Dias em que só adormece em movimento. Fins de tarde sem fim à vista. Noites que pioraram sem razão aparente. Nenhum destes sinais, sozinho, quer dizer grande coisa. Vários ao mesmo tempo, semana após semana, já valem uma conversa. E se o sono for sempre ruidoso, essa conversa deve ser com o pediatra.

Um bom dia não acontece por acaso

Há dias que fogem ao previsto, e costuma haver uma explicação por trás: uma sesta que começou cedo de mais, ou tarde de mais, ou que foi interrompida.

São detalhes, e são eles que separam um dia atropelado de um dia que corre bem. Quando o dia corre bem, a noite chega mais leve.

E é assim, sesta a sesta, que se criam hábitos de sono saudáveis.

Lights out. Drams on.

The Sleepy Treehouse