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ABC do Sono do Bebé

Mudança da Hora e o Sono do Bebé: O Que Esta Semana Revela

Há uma semana no ano em que quase todas as casas acordam fora de horas. É esta.

No sábado à noite os relógios recuaram uma hora. No domingo de manhã o seu bebé acordou no mesmo momento de sempre, porque o corpo dele não deu por nada.

A hora a que o seu bebé acorda é biológica, e não é fácil de mudar.

O relógio é que passou a dizer seis onde dizia sete.

Isto qualquer pai percebe logo no primeiro dia. O que quase ninguém percebe é a outra metade.

Não se está a pedir menos. Está a pedir-se mais.

Imagine um bebé que dormia das sete da tarde às sete da manhã.

O corpo dele continua no mesmo sítio. O relógio é que recuou uma hora.

Por isso acorda às seis. E por isso, ao fim do dia, a janela de oportunidade abre-se-lhe às seis, e não às sete.

Só que a casa não recuou com ele. Há creche, há refeições, há irmãos a sair à mesma hora.

Quando o deita às sete, como sempre fez, o corpo dele está a viver aquilo como oito da noite. Está a ser deitado uma hora depois do que pedia. E levantou-se uma hora mais cedo.

É mais tempo acordado do que ele costuma tolerar, logo no primeiro dia.

A manhã é onde isto se decide

E aqui entra a autorregulação (self-soothing).

Às seis da manhã o seu bebé já dormiu quase tudo o que tinha para dormir. Não é provável que volte a adormecer, e não é isso que está em causa.

O que está em causa é o que ele faz com essa hora.

Um bebé que adormece e volta a adormecer de forma independente fica na ronha. O quarto está escuro, e a escuridão diz-lhe que ainda não é hora de levantar. Ele consegue esperar na cama, sossegado, sem precisar de ninguém.

Um bebé que depende de alguém para se sossegar não tem essa hipótese. Às seis acorda e chama. E o dia começa ali, para ele e para a casa toda.

De manhã a diferença parece pequena.

Não é. Porque é no fim desse mesmo dia que a casa lhe vai pedir uma hora a mais, e quem tem de a dar é precisamente quem já a gastou de madrugada.

O que vai apetecer fazer é o contrário do que ajuda

Perante um bebé que acorda de madrugada, o instinto é sempre o mesmo: deitá-lo mais tarde, a ver se dorme até mais tarde.

Esta é a pior semana do ano para isso.

Ele já anda a aguentar uma hora a mais. Se a janela de oportunidade voltar a passar ao lado, o corpo responde com alerta e não com sono, e a noite seguinte costuma correr pior do que a que acabou de passar.

Se há semana em que não vale a pena esticar nada, é esta.

O relógio biológico não se muda com os ponteiros

O relógio biológico do seu bebé regula-se pela luz do dia e pela escuridão, e por certas rotinas e acontecimentos do dia: as refeições, as brincadeiras, até as mudanças de temperatura ao longo do dia.

E há aqui um pormenor que muda tudo.

Se ele dorme num quarto completamente escuro, como deve dormir, o nascer do sol não lhe chega. A luz que conta é a do dia já começado, quando se abrem os estores e a casa arranca.

Em muitas casas isso basta. Os dias repetem-se na ordem do costume, o corpo vai acertando, e ao fim de algum tempo já ninguém se lembra que houve uma mudança.

Noutras não basta. Há bebés em que a hora de deitar precisa de ser acompanhada até ao sítio novo, aos poucos, porque o corpo sozinho não faz a viagem toda.

O que passa, e o que fica

Se as manhãs se forem compondo sozinhas, se as sestas voltarem ao sítio e se a certa altura já ninguém falar nisto, era a mudança da hora e acabou.

É o que acontece na maior parte das casas onde o sono já estava bem assente.

Se daqui a uma semana ainda lá estiver, é outra conversa. Sobretudo se voltaram coisas que já não aconteciam há meses: despertares a meio da noite, choro à hora de deitar, um bebé que outra vez só adormece ao colo.

Nesse caso a mudança da hora não causou nada disso.

Destapou.

Uma hora chega para desarrumar um dia que já andava à justa. Um dia com margem absorve-a sem drama. É por isso que a mesma semana corre tão diferente em duas casas da mesma rua, e não é uma questão de feitio.

Nas famílias com hábitos de sono saudáveis bem assentes, esta semana passa e ninguém volta a falar nela.

Uma última coisa

Se esta semana correr mal lá em casa, não quer dizer que se perdeu o que tinham construído.

Quer dizer que o dia do seu bebé andava mais apertado do que parecia. E que agora se sabe.

Haverá sempre uma próxima coisa a pedir-lhe uma hora: uma viagem, uma creche nova, uma gripe, os ponteiros outra vez em Março.

A pergunta que fica não é como atravessar esta semana.

É se o dia do seu bebé tem margem para a próxima.

Lights out. Drams on.

The Sleepy Treehouse

E em sua casa, como é que estão as noites?

Seis perguntas, dois minutos. No fim, percebe o que está por trás das noites difíceis e qual dos programas faz mais sentido para a sua família.

FAZER O QUIZ

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